Mesmo com pressão de sindicato, aulas presenciais vão prosseguir em Timóteo seguindo todos os protocolos sanitários

Mesmo com pressão de sindicato, aulas presenciais vão prosseguir em Timóteo seguindo todos os protocolos sanitários

Após reunião realizada na noite de quarta-feira (24) na sede da Secretaria de Educação,
Cultura, Esporte e Lazer de Timóteo, representantes do Sindicato dos Servidores Públicos
Municipais e Prestadores de Serviço (Sinsep) juntamente a parte da categoria confirmaram o
estado de greve dos professores por causa da volta das aulas em sistema híbrido e
semipresencial na rede municipal de ensino. Participaram da reunião diretores do Sinsep,
professores, além dos secretários municipais de Educação, Professor Vespa, de Saúde,
Eduardo Morais, e o procurador-geral, Fabrício Araújo.
As aulas em Timóteo foram retomadas na última segunda-feira, dia 22, em cinco escolas em
clima de tranquilidade e respeito às normas sanitárias. Cerca de 800 alunos marcaram
presença no primeiro dia de aula, ou seja, quase 50% dos 1,9 mil alunos do 6º ao 9º anos. À
volta às aulas em Timóteo obedece a um planejamento estratégico elaborado pela Secretaria
de Educação com um checklist contendo todos os protocolos que envolvem aferição da
temperatura corporal de alunos, professores e servidores; distanciamento entre as carteiras;
disponibilização de dispensadores com álcool em gel; distribuição de máscaras e face shields
para os professores e monitoramento permanente.
O retorno também teve a aprovação do Conselho Municipal de Educação e do Comitê de
Enfrentamento à Covid-19 do Município que endossou a medida em reunião extraordinária
realizada no dia 20 de janeiro, portanto há mais de um mês do reinício das aulas.
O Sinsep, por sua vez, tentou impedir à volta das atividades escolares ao protocolar no dia 18
de fevereiro uma representação no Ministério Público do Estado de Minas Gerais. A 2ª
Promotoria de Justiça, como curadora da saúde na Comarca de Timóteo, concluiu “não existir
relação clara entre a retomada das atividades educacionais presenciais com maior risco de
transmissibilidade, não sendo as escolas apontadas como fator preponderante de transmissão,
o que não justifica, no entender do Ministério Público, sacrificar a essencial alfabetização de
milhares de alunos”. Em face dessa argumentação, o MP decidiu pelo arquivamento da
representação.
Durante a reunião com os representantes do Sinsep, foi relembrado que nos outros principais
municípios da Região Metropolitana do Vale do Aço as escolas voltaram a funcionar. No caso
de Timóteo, houve adesão consistente à volta às aulas tanto dos pais como da comunidade, o
que reforça a importância da retomada gradativa das atividades para não causar ainda mais
prejuízos aos estudantes.
Autonomia
Para reforçar e ratificar a iniciativa do Município, na quarta-feira, 24, o Governo de Minas
Gerais, por meio das Secretarias de Estado de Educação e de Saúde, conferiu autonomia aos
municípios para definirem o retorno presencial. “O ensino híbrido permite que um grupo
esteja em sala e outro no ensino remoto”, destacou o secretário de Saúde, Carlos Eduardo
Amaral, endossando também a recomendação da secretária de Estado de Educação, Julia

Sant´Anna, de fazer o revezamento entre as turmas obedecendo o protocolo de
distanciamento.

As falas dos secretários vão ao encontro do sistema adotado em Timóteo, que levou em conta
a situação dos estudantes, haja vista que “o confinamento prejudica igualmente o aprendizado
formal e pedagógico”. “A escola é também um local de convivência e formação humana. Se
ficarmos com eles (alunos) trancados dentro de casa, podemos comprometer uma geração
inteira, por isso é importante a volta de forma gradativa e segura”, pontuou o neurologista e
psiquiatra Rodrigo Carneiro.